10 provas de como a “ciência bizarra” ajudou a melhorar o mundo

Pseudociência nunca teve muita credibilidade junto à comunidade científica. Alguns pseudoestudos até chegaram a ser motivo de chacota e, sejamos francos, alguns com um certo merecimento. Mas, como tudo nessa vida, a gente não pode generalizar, certo? A pseudociência parece que tem seus méritos. Mesmo que a ideia de que ela seja de fato uma “disciplina” soe absurda, algumas vezes ela encontra caminhos interessantes que levam a resultados curiosos – e que até ajudam a melhorar o mundo.

10. Os alquimistas chineses foram os responsáveis pela descoberta da pólvora

A alquimia é uma pseudociência agora extinta que se dedicava a encontrar a cobiçada Pedra Filosofal. Se você assistiu ao primeiro filme de Harry Potter, ou leu os livros da série, sabe do que eu estou falando. A Pedra Filosofal seria a pedra que, supostamente, daria o dom da imortalidade para quem a encontrasse. Com ela, seria possível fazer um tal de elixir da vida, que manteria as pessoas lindas, jovens e eternas. Não é tão difícil assim de entender porque os cientistas de verdade não levavam essa linha de pesquisa, digamos assim, muito a sério, né?

Os alquimistas chineses, no caminho em busca de seus sonhos mágicos, acabaram encontrando uma descoberta bastante útil para a humanidade: a pólvora!

Enquanto faziam misturas estranhas para tentar fazer a pedra, eles descobriram acidentalmente uma combinação única que ficou conhecida, anos depois, como pólvora. A receita se espalhou por todo o mundo. Antes que alguém percebesse o seu potencial para o desenvolvimento de armas, ela foi usada para tratar doenças da pele e criar fumaça para afastar parasitas. Como diz o ditado, onde há fumaça, há fogo, e não demorou muito para que a nova invenção fosse usada por exércitos.

9. A procura por alienígenas impulsionou estudos de astronomia e física

Em muitos aspectos, o estudo do misterioso cosmos só levantou mais e mais perguntas. A primeira e mais clássica delas é a questão de saber se estamos sozinhos no universo, ou não. Embora ainda não tenhamos alcançado uma resposta conclusiva, um astrônomo chamado Percival Lowell tentou o seu melhor para provar a existência de vida alienígena. Ele acreditava que Marte estava cheio de canais para o transporte de água, que deviam ter sido criados por formas de vida inteligentes.

Enquanto suas teorias sobre esses supostos canais tenham se provado falsas, elas tiveram um papel fundamental para a astronomia, de forma que inspirou um importantíssimo estudo da física.

Lowell inventou um novo campo de estudo que ele apelidou de “planetologia”. Este campo usava alguns dos princípios contemporâneos de astronomia, mas era focado em aprender mais sobre a composição e atmosfera de planetas individuais. Hoje, é algo que consolidado como parte do estudo do sistema solar. Mas, na época em que foi proposto, foi absolutamente revolucionário.

Para realizar seus estudos, ele criou um dos primeiros observatórios no país. Enquanto seu observatório foi construído originalmente com o objetivo de aprender sobre Marte, outro cientista encontrou Plutão usando o trabalho de Lowel. Também, e acordo com Carl Sagan, o grande físico Robert Goddard foi inspirado pelo trabalho de Lowell depois de participar de suas palestras. Para quem não sabe, Goddard veio a se tornar o pai da moderna ciência do foguete. Nada mal, não?

8. O relógio Atmos foi uma tentativa de desenvolver o moto-contínuo

Desde que as leis da termodinâmica colocaram um freio sobre as teorias de movimento perpétuo, a ideia tem sido relegada para o reino de inventores malucos que provavelmente criam pequenas explosões em suas garagens. Antes de a ciência ter refutado totalmente a possibilidade de uma máquina que pudesse funcionar para sempre sem uma nova entrada de energia, muitas pessoas inteligentes tentaram criá-la, e esse tempo não foi de todo desperdiçado. O relógio Atmos é uma prova disso.


Inventado por Jean-Leon Reutter, ele não era exatamente um dispositivo de movimento perpétuo, mas chegou bem perto. O relógio era alimentado por uma pequena cápsula que continha gás e líquido. Essa mistura que se expandia e se contraia com base em variações muito pequenas permitia que o relógio permanecesse funcionando sem precisar de outra fonte de energia. Originalmente, o mercúrio foi utilizado, mas foi substituído uma vez que se tornou evidente que era perigoso. Como o relógio ainda requer pequenas mudanças de temperatura para funcionar, não é um verdadeiro dispositivo de movimento perpétuo, mas ainda assim temos que concordar que é bastante engenhoso.

7. A frenologia melhorou nossa compreensão sobre neurociência

A frenologia era uma teoria arcaica que dizia que o cérebro humano era dividido em módulos que variam em tamanho dependendo do uso e influências genéticas. A teoria considerava que o crânio se encaixava perfeitamente ao redor do cérebro, de modo que seria possível examinar áreas supostamente maiores apenas sentindo o crânio de uma pessoa através de sua pele. Isso poderia também determinar coisas como traços de personalidade e inteligência.

Frenologistas tinham um hábito infeliz de usar sua pseudociência para alegar que os brancos europeus eram a raça mais inteligente e versátil do mundo. O que, nem preciso dizer, não tem nada a ver com nada. No entanto, apesar desse histórico lamentável, a frenologia ajudou a promover avanços em nossa compreensão da neurociência.

Quando a frenologia propôs pela primeira vez a teoria de que funções mentais e emocionais eram todas localizadas no cérebro, muitos cientistas não acreditavam nisso. Isso os motivou a estudarem mais o cérebro, o que levou a diversas descobertas, além de provar que a frenologia estava errada (em todos os outros aspectos, menos na ideia de que o cérebro é o mestre de nossas funções mentais e emocionais).

6. A astronomia evoluiu junto com a astrologia

Parece um absurdo, mas essa prova de que esta doutrina realmente contribuiu com avanços científicos segue a lógica dos exemplos anteriores. Tudo começa com uma ideia que aparentemente parece absurda, mas, no fundo, desperta a curiosidade dos cientistas e meio que “abre suas cabeças” para novas possibilidades.

Eras atrás, quando algumas pessoas ainda pensavam que a Terra era o centro do universo, a astrologia era muito mais popular do que ciências reais de estudo do universo. Naquela época, o movimento das estrelas era considerado importante para fazer previsões como para navegação. De fato, alguns historiadores acreditam que o amor da humanidade pela astrologia foi o empurrãozinho para que o conhecimento astronômico fosse rapidamente passado de cultura para cultura. Na verdade, essas duas disciplinas eram quase a mesma coisa, até que a astrologia foi finalmente desmascarada. Hiparco, Ptolomeu e outras figuras importantes que estudavam astronomia levavam a astrologia bastante a sério, e isso talvez tenha sido muito importante. Se não fosse por essa paixão de prever o futuro, talvez a astronomia nunca teria avançado tanto.

5. A teoria do “flogisto” levou a uma melhor compreensão sobre gases

Na época em que não entendíamos muito sobre as forças do mundo, os cientistas estavam tentando explicar por que e como as coisas pegavam fogo. Eles vieram com a ideia de um elemento chamado “flogisto”, que estaria presente em todo o material inflamável e que seria o responsável pelo fogo. Para eles, então, quando as chamas acabavam, significava que todo o flogisto tinha ido embora, e ele então era considerado “deflogisticado”. A teoria começou a mostrar suas falhas quando foi observado que alguns metais ganhavam massa depois de serem “deflogisticados”.
Embora pareça algo muito bizarro para ser aceita, essa teoria do flogisto ajudou cientistas a caminharem na direção certa para entender melhor sobre gases e o processo de combustão. Não muito tempo depois, Joseph Priestley tornou-se a primeira pessoa a identificar o oxigênio – mostrando de uma vez por todas que a teoria do flogisto era falsa.
De acordo com sua velha hipótese, o oxigênio era simplesmente “ar deflogisticado”. Curiosamente, quando o hidrogênio foi identificado pela primeira vez, ele foi confundido com o tal do elemento “flogisto”. Parece incrivelmente bobo agora, mas as experiências que nos deram a nossa compreensão atual sobre oxigênio, hidrogênio, combustão e oxidação poderiam não ter sido realizadas se não fosse por aqueles que queriam entender as falhas na teoria do flogisto.

4. Hipnose ajudou a desenvolver novos métodos de tratamento para dependências

Digamos assim que a hipnose é extremamente mal interpretada, e muitas vezes até mesmo por aqueles que afirmam praticá-la. Esses equívocos são alimentados pela televisão, filmes e outros espetáculos que sugerem que você pode usar a hipnose para tirar a consciência de alguém e levá-lo a fazer o que você manda, sem que ele se lembre de qualquer coisa. Os cientistas sabem agora que aqueles sob hipnose permanecem bem acordados durante todo o processo, e ninguém é manipulado a fazer coisa alguma que normalmente não faria.

No entanto, a hipnose tem nos proporcionado truques úteis, que provavelmente não são os que você tem em mente agora. A auto-hipnose pode ser muito eficaz se você souber como fazê-la. Esta forma de hipnose tem aplicações médicas legítimas e reais, como ajudar as pessoas a tolerarem a dor, lidar com a ansiedade e superar o vício de drogas. Claro que, se um viciado não tem vontade de parar de usar alguma substância, a hipnose não vai ajudar muito.

3. Aromaterapia e a luta contra os germes

Embora muitas pessoas possam presumir que a aromaterapia consiste na cura baseada inteiramente em cheirar alguma coisa, muitas vezes esse não é o caso. A aromaterapia também envolve a aplicação de óleos essenciais a partir de plantas ou ervas específicas na pele.

Como o uso de óleos concentrados pode causar irritações graves, eles são usualmente misturados com um transportador, como óleo de coco ou óleo de oliva. Enquanto não há nenhuma evidência de que simplesmente cheirar um óleo vai fazer algo além de permitir-lhe desfrutar de um agradável odor, os estudos sobre os efeitos dos óleos em si se mostraram muito promissores. Um exemplo disso é o óleo essencial de lavanda. Evidências mostraram que ele pode ser muito eficaz para o combate ao Staphylococcus aureusresistente à meticilina (SARM), de forma que cientistas acreditam que poderia ser útil como um agente antimicrobiano aplicado localmente.

Outros estudos sobre o óleo de lavanda também descobriram que ele tem propriedades antifúngicas.

2. Estudos sobre o efeito lunar promoveram novos insights sobre o sono

O efeito lunar é uma teoria (ou uma crença, para defini-lo melhor) de que os ciclos da lua teriam alguma influência sobre o comportamento humano. Seria algo como relacionar a lua cheia com a existência de lobisomens. Nem preciso dizer muito mais para a gente concluir que é uma grande balela. Mas se você precisa de mais, eu digo também: foram feitos inúmeros estudos de caso até que a ciência decretasse que uma coisa não tem nada a ver com a outra. Mas isso também não quer dizer que desse mato não sairia nenhum cachorro – ou lobisomem.
Como a maioria desses estudos foram feitos sem uma metodologia aceitável, a ideia sobre o efeito da lua não pode ser considerada totalmente sem mérito.
Em um estudo suíço que ocorreu ao longo de uma década atrás e durou quase três anos, os pesquisadores estudaram os hábitos de sono de 33 pessoas. O estudo incluiu viagens regulares para um laboratório de sono e foi concebido para compreender melhor o sono de uma forma mais geral.
Depois de cruzar alguns números, eles descobriram que é justamente nas noites de lua cheia que as pessoas tendem a demorar alguns minutos a mais para adormecer, e também dormem por cerca de 20 minutos a menos do que o habitual. Mas como os voluntários do estudo não estavam no laboratório todas as noites, os pesquisadores não foram capazes de testar sua hipotése.
Embora mais testes sejam necessários para nos ajudar a entender como isso realmente funciona, essa primeira visão parece indicar que os nossos relógios biológicos podem manter o tempo com base nos ciclos do sol e da lua.

1. O mito do Triângulo das Bermudas inspirou estudos sobre hidratos de metano

Todos nós ficamos bastante tentados a acreditar que o Triângulo das Bermudas é um lugar mágico, mas esses mitos simplesmente não são verdade. Embora tenha havido alguns desaparecimentos documentados na área, o número de incidentes não é maior do que em qualquer outra parte do oceano. Tanto que cientistas, geógrafos, administradores e políticos não o consideram nem mesmo um lugar real.

Apesar disso, o triângulo mais famoso do mundo (depois do triângulo de Pitágoras) tem inspirado pesquisas, sendo que algumas delas descobriram informações um tanto úteis. Uma delas foi desenvolvida por um geoquímico chamado Richard McIver. Ele tinha ouvido falar pela primeira vez sobre o mito do Triângulo das Bermudas antes da década de 1960, e esse ar místico em torno do local despertou sua curiosidade. Ele sabia que o local contava com grandes quantidades de hidratos de metano – elemento que a ciência começou a compreender plenamente na década de 1970. Esses hidratos costumavam provocar a formação de bolhas de gás que explodiam perto da superfície da água.

Isso levou McIver a propor a teoria de que estas erupções foram a causa de desaparecimentos inexplicáveis de navios e aviões. Teoricamente, uma erupção de hidratos de metano perto da superfície também pode causar problemas na parte elétrica desses transportes, o que (sem muito mistério) poderia ter contribuído com os desaparecimentos.
Recentemente, dois pesquisadores estudaram esta teoria de décadas atrás para determinar se os hidratos de metano poderiam causar tal problema. Eles descobriram que, se um navio fosse para perto de uma erupção de bolhas de metano, poderia acabar afundando em um período muito curto de tempo. Se estudarmos mais esse efeito, podemos ser capazes de impedir futuras tragédias como essas. 
Fonte: hypescience.com

João Filho

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