10 lugares mais poluídos do mundo

Os moradores de São Paulo sabem uma coisa ou duas sobre poluição, é verdade, mas – ainda bem! – estão longe das situações extremas encontradas em locais em que a poluição é resultante de problemas que vão desde a crescente quantidade de lixo eletrônico produzido até a produção de armas químicas. Em parceria com a Cruz Verde Internacional, o Instituto Blacksmith estudou a situação de mais de 2 mil focos de poluição em 49 países na última década – e o que descobriram não é nada legal: a poluição tóxica ameaça a saúde de mais de 200 milhões de pessoas no planeta e poluentes industriais já afetam mais pessoas do que a malária.
Os dados levantados pela instituição também apontam para outro fato importante: apesar dos dez lugares mais poluídos não se encontrarem em nações ricas, elas não estão livre da culpa. Isso porque grande parte da poluição encontrada em países pobres está ligada ao estilo de vida dos mais ricos – uma fábrica em Bangladesh, por exemplo, fornece couro para calçados feitos na Itália e vendidos em Nova York ou Zurique; em Agbogbloshie, Gana, os moradores sofrem com o impacto do lixo eletrônico dos aparelhos eletrônicos usados em países do ocidente. A população local nessas áreas “está muitas vezes poluindo o ambiente não por que acham divertido, mas por uma questão de sobrevivência”, apontou Stephan Robinson, da Cruz Verde Suíça, durante a conferência de apresentação dos dados levantados.

Confira quais são os 10 lugares mais poluídos do mundo, segundo levantamento do Instituto Blacksmith:
Fonte: Super Interessante
1. Agbogbloshie (Gana)

Agbogbloshie é a segunda maior área de processamento de lixo eletrônico da África Ocidental, chegando a importar cerca de 215 mil toneladas de resíduos oriundos da Europa. Por lá, a situação é séria: devido à composição heterogênea dos materiais coletados, reciclá-los de forma segura é um processo complexo que requer grande habilidade e tecnologia adequada – coisas que não são aplicadas no aterro. São várias as atividades irregulares que causam impacto ambiental na região – em uma das etapas mais nocivas, por exemplo, os recicladores queimam o plástico que envolve fios de cobre, muitas vezes usando isopor. O resultado é a liberação de metais pesados presentes nos cabos, que contaminam as residências e o solo. Amostras recolhidas nas redondezas do local de despejo, onde vivem mais de 40 mil pessoas, indicaram níveis de chumbo superiores a 18 partes por milhão – 45 vezes mais que o limite de contaminação estabelecido pela Agência de Proteção Ambiental dos EUA. Além disso, amostras de sangue dos trabalhadores chegaram a indicar presença de metais pesados até 17 vezes superior aos padrões internacionais.

2. Chernobyl (Ucrânia)

A cidade de Chernobyl, na Ucrânia, ainda está longe de se recuperar da tragédia ocorrida em 25 de abril de 1986 – na ocasião, um dos piores acidentes nucleares da história, a explosão de reatores liberou 100 vezes mais radioatividade que as bombas que atingiram Hiroshima e Nagasaki, afetando uma área de 150 mil quilômetros quadrados. O acidente é considerado responsável por mais de 4 mil casos de câncer de tireóide, e a estimativa é de que a radioatividade ainda presente na área coloque em risco entre 5 e 10 milhões de pessoas na Ucrânia, Rússia, Moldávia e Belarus.

3. Rio Citarum (Indonésia)

Cobrindo uma área de cerca de 13 milhões de quilômetros, o Rio Citarum fornece 80% da água consumida pela população local, irriga fazendas que produzem cerca de 5% do arroz cultivado no país e atende 2 mil fábricas da região. Estaria tudo certo não fosse por um “detalhe”: o Citarum está contaminado por dejetos industriais e domésticos e, em testes realizados pelo Instituto Blacksmith, foram encontrados níveis de chumbo mil vezes maiores que o aceito internacionalmente, e níveis de magnésio quatro vezes superiores ao recomendado. Ao longo dos próximos 15 anos, o governo indonésio pretende investir cerca de 3,5 bilhões de dólares na revitalização do rio com o qual 9 milhões de pessoas têm contato.

4. Dzerzhinsk (Rússia)

Em 2007, o Livro Guinness de Recordes citou Dzerzhinsk como a cidade mais poluída do mundo. A menção estava longe de ser gratuita: amostragens de água coletadas na cidade apresentaram níveis de dioxinas e de fenol mil vezes acima do recomendado. A alta concentração de toxinas causou o aumento de doenças como câncer dos olhos, pulmões e rins e fez a expectativa de vida na região cair drasticamente – em 2006, a esperança média de vida em Dzerzhinsk era 47 anos para as mulheres e apenas de 42 para os homens. A contaminação tem origem antiga: durante todo o período soviético, Dzerzhinsk foi responsável pela maior parte da fabricação de produtos químicos, incluindo armas. Entre 1930 e 1998, cerca de 300 mil toneladas de resíduos foram despejados incorretamente na cidade, contaminando os lençóis freáticos com mais de 190 substâncias. Atualmente, a região ainda é um centro significativo da indústria química russa, mas, ao longo dos últimos anos, esforços têm sido feitos para fechar instalações obsoletas e recuperar o solo contaminado.

5. Hazaribagh (Bangladesh)

Do total de 270 curtumes registrados em Bangladesh, quase 90% estão localizados em Hazaribagh e empregam mais de 10 mil trabalhadores, que são expostos a condições de trabalho extremamente perigosas: todos os dias, as fábricas descartam 22 mil litros cúbicos de resíduos tóxicos cancerígenos. O resultado você já pode imaginar: além de câncer, a população enfrenta uma série de problemas de saúde, como doenças respiratórias, queimaduras ácidas, erupções cutâneas, dores, tonturas e náuseas. Para piorar, as casas dos trabalhadores estão localizadas ao lado de córregos, lagoas e canais contaminados. A indústria do couro ainda provoca outros impactos na região: recicladores informais queimam restos de couro para produzir uma série de produtos de consumo, contribuindo também para poluição do ar.

6. Kabwe (Zâmbia)

Em 1902, ricas jazidas de chumbo foram descobertas em Kabwe. De lá pra cá, foram mais de 90 anos de operações de mineração e fundição executadas na área sem cuidados para evitar a contaminação e garantir a segurança dos trabalhadores e da comunidade. O resultado não poderia ser outro: um estudo realizado em 2006 descobriu que os níveis de chumbo no sangue das crianças excedia quase dez vezes os níveis recomendados. A mina hoje está fechada, mas atividades artesanais continuam sendo realizados – e a pilha de rejeitos contaminados só aumenta.

7. Kalimantan (Indonésia)

Para 43 mil residentes de Kalimantan, porção indonésia da Ilha de Bornéu, a renda mensal depende da extração de ouro artesanal, feita com mercúrio e de forma rudimentar. A Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (UNIDO) estima que mais de 1.000 toneladas de mercúrio sejam liberados no meio ambiente todos os anos por este processo. Parte dos dejetos da atividade é lançada nos cursos d’água, onde acabam se acumulando nos peixes do Rio Kahayan, que apresenta taxas de mercúrio que correspondem ao dobro do recomendado. O governo da Indonésia vem tentando contornar a situação, trabalhando para mitigar os lançamentos de dejetos e a exposição às substâncias tóxicas.

8. Matanza-Riachuelo (Argentina)

Cerca de 20 mil pessoas vivem na bacia do rio Matanza-Riachuelo, que corta 14 municípios em Buenos Aires. Suas águas estão longe de ser limpinhas: seus 60 quilômetros recebem resíduos vindos de mais de 15 mil indústrias, que incluem fabricantes de produtos químicos (responsáveis por um terço de toda poluição). E o problema não está só no lado de dentro: estudo realizado em 2008 revelou que o solo nas margens do rio continha zinco, chumbo, cobre, níquel e crômio, todos acima dos níveis recomendados. Cerca de 60% das pessoas que residem perto do curso d’água vivem em condições impróprias para a habitação humana – situação que se torna ainda mais complicada devido aos assentamentos irregulares, onde moradores não tem acesso à água potável.

9. Rio Níger (Nigéria)

Com mais de 70 mil quilômetros quadrados, o Rio Níger ocupa quase 8% da área total da Nigéria. Não é pouca coisa. Também não é pouca a poluição presente no curso d’água: desde o final dos anos 1950, o local concentra a maior parte das operações de extração de petróleo do país. Apenas entre 1976 e 2001, foram registrados 7 mil incidentes envolvendo derrames de petróleo; anualmente, são mais de 240 mil barris de petróleo derramados no delta do rio. Os vazamentos contaminam não apenas a superfície e as águas subterrâneas, mas também o ar, devastando comunidades aquáticas e agrícolas. Os acidentes têm afetado a saúde da população local: artigo publicado no Nigerian Medical Journal, em 2013, indicou que a poluição poderia ser responsável pelo aumento de 24% de desnutrição infantil. Além disso, o petróleo bruto pode causar infertilidade e câncer.

10. Norilsk (Rússia)

Fundada em 1935, Norilsk é uma cidade industrial, lar de um dos maiores complexos de fundição de metais pesados do mundo. Anualmente, cerca de 500 toneladas de óxidos de cobre e níquel e 2 milhões de toneladas de dióxido de enxofre são liberados no ar, o que faz com que a expectativa de vida na cidade seja 10 anos abaixo da média russa. Estima-se que mais de 130 mil moradores da região sejam expostos a partículas de metais pesados e foi observado na área um aumento nos níveis de doenças respiratórias e câncer de pulmão e do sistema digestivo. Apesar de investimentos para a redução de emissões ambientais, a área circundante continua seriamente contaminada, com altas concentrações de cobre e níquel no solo dentro de um raio de 60 quilômetros da cidade.

João Filho

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